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PROGRAMA DE ANÁLISE DE CONJUNTURA
Outubro de 2002
Boletim PAC
O Boletim PAC/DGTA é uma publicação que reúne análises conjunturais do
mercado agrícola, desenvolvido por estagiários do Departamento de
Gestão e Tecnologia Agroindustrial, sob orientação de docentes
especializados na área que compõem o grupo PAC ( Programa de Análise de
Conjuntura ).
O
principal objetivo do PAC é treinar estudantes de graduação da Faculdade de
Ciências Agronômicas da Unesp, visando aprimorar o conhecimento dos mercados
dos principais produtos agrícola.
José
Matheus Y. Perosa
Izabel
Cristina Takitane
Maura Seiko T. Esperancini
Profa.
Maura Seiko T. Esperancini
Acad. Fernando de Campos Cunha
Acad. Sandra T. Torrezin
Anselmo Ribeiro
Marcos Norberto Tavares
ARROZ
ARROZ
EM ALTA FECHA O MÊS DE OUTUBRO EM R$ 32,73.
O
preço do arroz em casca, pago ao produtor, saca de 60 kg, fechou o mês de
outubro com um valor de R$ 32,73,
apresentando um acréscimo de 51
% em relação ao mês anterior.
Segundo
os institutos de pesquisa, um dos fatores que têm influência direta na
escalada dos preços do arroz é o atraso do plantio em algumas regiões do Rio
Grande do Sul, em função do excesso de chuva, que impede o fluxo de máquinas
nas lavoura. Um outro fator seria a proximidade do esgotamento nos estoques públicos,
que está preocupando as indústrias beneficiadoras, que terão que recorrer às
importações ou aos produtores que ainda têm algum volume de sua produção
estocado.
Segundo
o Sistema FAMATO, os bons preços recebidos pelos produtores de arroz neste ano
não serão suficientes para estimular o avanço da área plantada na safra
2003. Os produtores gaúchos, responsáveis por quase metade da produção
nacional, estão pensando duas vezes antes de ampliar o cultivo, pois os preços
dos insumos cresceram em média 25% nos últimos dois meses, por causa da
desvalorização cambial.
Outro
problema que os produtores irão enfrentar
para a safra 2002/2003, será o aumento dos juros. Na avaliação do
setor, o repasse do crédito agrícola terá mais dificuldades. O reajuste de 3%
na taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), que saltou de 18% para
21%, fará com que os bancos sejam mais seletivos na hora de emprestar os
recursos ao produtor rural.
Em
resumo, a situação dos produtores é difícil apesar dos preços estarem em
alta. A redução nos estoques públicos e as chuvas constantes estão
contribuindo para o aumento do preço do arroz.
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Queda
no preço da Batata
João
Carlos Carmignani Leandro Hitoshi Fugikawa
Lívia Moura Sousa
Durante o mês de outubro, as três variedades de batata tiveram queda de
preço. A batata comum especial fechou o mês a R$ 25,47, a batata beneficiada
comum especial a R$ 26,44, e R$ 36,44 foi o preço da batata lisa especial.
Essa
queda ocorreu devido a coincidência do fim da safra de Vargem Grande do Sul com
o início de colheita do Sudoeste Paulista. A oferta do produto está em alta no
mercado, provocou a queda acentuada dos preços.
A
previsão para o próximo mês é de uma elevação nos preços decorrente a uma
diminuição do produto no mercado, devido ao final da safra de Vargem Grande do
Sul.
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FEIJÃO
Clima
interfere na produção de Feijão
André
Luiz Sano Martins
O feijão carioquinha tipo 1, saca de 60Kg, fechou o mês de outubro em
R$ 78,00, já o tipo 2, em R$ 75,00. O feijão preto tipo 1 é comercializado a
R$ 85,00 e o tipo 2 a R$ 80,00 no estado de São Paulo.
Preços Continuam em Alta, Favorecendo os Produtores
Michelle
Carolinae Seixas
Iana Y. Mori
Konrad V V S Mello
Em abril, o preço da saca de 60 kg ficou em R$ 11,258.
A situação atual é muito favorável aos produtores, e apesar disso,
eles vem segurando a venda de milho, na expectativa de preços ainda melhores.
Os compradores estão retraídos, pois consideram os preços altos.
A boa cotação de preços para o milho em
2002 foi impulsionada pela queda na oferta do produto este ano, que apresentou
uma redução de 15% na safra de verão se comparada ao mesmo período do ano
passado.
Os preços oferecidos ao produtor estão por
volta de R$13,50, preços até 40% maiores que os preços apresentados no mesmo
período do ano passado. Por esta razão, estima-se uma safrinha maior que a de
2001, pois houve aumento na área plantada em todos os estados produtores, e há
previsões de que os preços possam chegar a R$16,00 a saca de 60 kg. Apesar
disso, a oferta será restrita devido às fortes estiagens que vêm prejudicando
os principais estados produtores, principalmente o Paraná.
A seca de mais de 40 dias no Paraná
prejudica o plantio da safrinha. Até o final de março, 90% da safrinha já
havia sido plantada no Brasil e a estiagem do mês de abril atingiu esses
produtores.
Como
previsto anteriormente o estado de São Paulo deverá importar 3,15 milhões de
toneladas de outros estados para compensar a demanda interna (por parte dos
produtores de aves, suínos, pecuária e indústria), assim como a diminuição
da oferta de milho no estado.
Os valores praticados na safrinha serão
decisivos na determinação do plantio de milho para a safra de 2003.
Para o mês de maio, a previsão é de que os preços
continuem subindo.
Suínos
João Paulo Lopes Marco
Aurélio Guenca
Milena Provazi
O mercado de carne
suína começou a reagir no mês de abril, com uma alta de 4,5%. O mês iniciou
com preços baixos e subiu nas últimas semanas, ficando com uma média de R$
23,50 a arroba do suíno vivo pago ao produtor. Essa melhora no setor aconteceu
principalmente nos estados onde o consumo é alto e responde mais rapidamente as
variações do mercado, como São Paulo e
está relacionada principalmente com o aumento do consumo. Em praças onde as
respostas às oscilações do mercado é mais lenta os preços foram praticados
abaixo desta média, como no Rio Grande do Sul.
Os preços
continuavam baixos devido a um excesso de estoques nos frigoríficos provocado
por dois motivos. O primeiro pelo baixo consumo ocorrido devido as altas
temperaturas, e o segundo motivo foi a paralisação das importações para a
Argentina devido a falta de pagamento. Com a chegada de temperaturas mais amenas
o consumo automaticamente aumentou, ocorrendo assim uma diminuição dos
estoques e, com isso, os frigoríficos voltaram a comprar o suíno do produtor
para o abate, reaquecendo o mercado.
Os
preços se mantiveram elevados até a segunda semana, quando apresentou uma redução
e foi negociado a R$ 1,20, em função dos preços do milho terem apresentado
uma elevação de 20%, o que forçou ainda mais a antecipação do abate para
reduzir os custos. Dessa forma
houve um aumento na oferta de frango no mercado pressionando os preços para
baixo.
O
mês de outubro se encerrou com o preço médio do frango cotado a R$ 1,25, a
mesma media do mês anterior.
O
mercado externo está comemorando a grande quantidade de frango vendida
principalmente para Europa, mas esse aumento se deve ao fato do Europa antecipar
suas compras em razão de uma maior tributação que o frango brasileiro irá
sofrer a partir de 2003. Dessa forma os valores para o próximo ano deverão ser
menores. Embora o Japão e da Coréia
tenham suspendido a importação de frango americano, e que ao lado da China
podem ser grandes compradores do nosso produto.
A
saída para o mercado avícola pode estar em uma negociação com a CTNbio, para
a utilização de produtos trangênicos na avicultura, a fim de reduzir o
impacto que o milho está causando no sistema produtivo de aves no Brasil.
Na
atual situação, o frango pode se tornar o mais novo vilão inflacionário dos
pais, e ainda pode causar um grande problema à economia, uma vez que o frango
é considerado por muitos com uma das bases do Plano Real, e isso fica evidente
quando se analisa o consumo per capita de frango e de carne bovina .
Em 1994, o consumo per capita de frango era de 18,30Kg e o de carne
bovina era de 34,10/kg, no ano de 2002 o consumo per capita de frango saltou
para 33,78/kg, o consumo de carne bovina será de 36,63/kg.
Esse
aumento deve-se ao menor preço do frango em relação à carne bovina e ao
aumento da produtividade e da redução dos custos de produção, que agora estão
ameaçados pela alta excessiva do preço do milho.
Para
tentar minimizar essa situação o governo do estado estuda uma alteração no
ICMS para aves, que teria uma redução de 17% e quando destinado a outros
estados essa redução seria de 11%.
As
expectativas para o próximo mês é de que o mercado continue estável, sem
grandes alterações, dependendo fortemente das oscilações do mercado de
milho.
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CIRCUITO
DAS FRUTAS
Sandra
T. Torrezin &n
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No
início do mês de outubro, o Governador de São Paulo Geraldo Alckmin assinou o
decreto de criação do Pólo Turístico do Circuito das Frutas, que envolve as
cidades de Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Valinhos e
Vinhedo. Juntas, estas oito cidades ocupam uma área de 1,6 mil quilômetros
quadrados, dos quais 850 abrigam plantações de frutas como por exemplo uva,
morango, figo, pêssego, goiaba e caqui. O intuito deste decreto é promover ações
integradas entre as cidades para fomentar a produção e divulgação da
fruticultura local.
O
preço do abacaxi havaí encerrou o mês com uma média de R$ 0,43 o quilo, 10%
a mais em relação ao mês passado. Já o abacaxi pérola fechou o mês a R$
1,00 o quilo não diferenciando do mês passado. O aumento do preço do abacaxi
havaí pode ser explicado devido o término da safra dos pequenos produtores da
Paraíba e também pela dificuldade de negociação dos atacadistas com os
grandes produtores, que elevaram o preço devido à grande procura.
A
melancia fechou o mês com uma média de R$ 0,43 o quilo um aumento de 48% em
relação ao mês anterior. Este aumento se deve pelo fato da safra de Goiás e
Tocantins ter acabado e a produção de São Paulo estará em seu pico no mês
de novembro.
Já
a Tangerina Murcote fechou a R$ 0,81, o que representa um aumento de 39,6% em
relação ao mês passado, isto devido ao término da sua safra.
Este
mês já existe oferta de pêssego nacional da variedade Aurora no mercado que
fechou o mês com uma média de R$ 2,00 o quilo.
Para
o mês de novembro espera-se que o preço da melancia e do
abacaxi caiam devido ao pico de safra, portanto mais fruta no mercado. Em
relação ao pêssego, é esperado a entrada de outras variedades no mercado.
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Preços
disparam no mercado do milho.
Michelle
Caroline Seixas
Konrad V.V. de S. Mello
O
preço da saca de 60 kg de milho ficou em 22,92R$ no mês de outubro,
representando um aumento de 29% em relação ao mês passado.
A
contabilização atrasada dos registros de exportação estão fazendo pressupor
embarques menores que os efetivamente realizados até agora. Tudo indica que as
exportações de milho podem superar as expectativas e atingirem até 1, 8 milhões
de toneladas.
A
explosão do câmbio registrada nos últimos meses (em especial no mês de
setembro), a recuperação dos preços internos impulsionada pela escassez do
produto dentro do país, e o fato de o nosso milho não ser transgênico
elevaram a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional,
deixando nossos exportadores em franca vantagem frente aos concorrentes
tradicionais.
Apesar
disso, como não há volume excedente de produção devido a redução da área
da safra de verão e da quebra de produção da segunda safra, cada negocio
fechado para exportação reduz ainda mais a disponibilidade interna do grão. A
queda na área plantada, principal motivo da escassez do produto no mercado
interno, deve-se em grande parte à decepção dos produtores com a cultura do
milho, desestimulo este causado por anos de preços baixos e falta de liquidez
no mercado, o que levou os produtores à migração para o mercado da soja (que
apresentou ótimos preços de mercado no ano passado.). Este desestímulo tende
a aumentar a escassez futura do produto no mercado. Estados como Goiás já
apresentam falta de milho em estoque.
Para
o mês que vem, a tendência é de alta, e espera-se que os preços atinjam R$
25,00.
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SOJA
Área
plantada deverá crescer 10%
Este mês a saca de 60 Kg fechou a R$ 42,65, tendo-se uma média este mês
de R$ 42,03/saca 60Kg.
Depois
de atingir o maior valor do Plano Real em setembro passado, o preço da soja
caiu 7,6% nas duas primeiras semanas. A oscilação do dólar e a expectativa
com relação à safra dos EUA foram os responsáveis por esta variação.
Nas duas últimas semanas, a falta de chuvas no Brasil provocou elevação dos preços de todo complexo soja na Chicago Board of Trade (CboT). As chuvas que estão previstas para cair sobre a região produtora no Brasil serão insuficientes para alterar o estresse provocado pela seca.
O
crescimento da área de soja no Brasil, apontada como processo de “sojificação
”, deve impulsionar a produção de fertilizantes no País. O volume de
fertilizantes destinados à cultura de soja respondem atualmente por quase 35%
do total produzido pelas empresas brasileiras, volume estimado em 18,3 milhões
de toneladas para este ano. O avanço das vendas deve acontecer no Centro-Oeste,
conhecida fronteira agrícola do país. Como as terras da região são menos férteis
que as do Sul e do Leste do Brasil, as vendas deverão se concentrar na região.
A
área plantada de soja na próxima safra deverá crescer 10,6%. A produção do
grão deverá atingir 49.151 milhões de toneladas, 17,4% acima da safra
2001/02, que atingiu 41.874 milhões de toneladas. A expectativa para a safra
2003/04 é de que os agricultores colham quase 54 milhões de toneladas de soja.
O
plantio de soja da safra 2002/03 atingiu 6% do total previsto para o País no
dia 25. Em 26 de outubro do ano passado, 11% da safra estava plantada. O que
caracteriza o atraso na semeadura este ano é o clima quente e seco no
Centro-Oeste e chuva excessiva no Sul. No dia 25,
39% da safra 2002/03 de soja havia sido comercializada, contra 29% no
mesmo período do ano passado e 26% na média de cinco anos.
O
relatório do mês de outubro sobre oferta e demanda mundial de soja do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que os estoques
finais da safra 2002/03 serão de 26,11 milhões de toneladas. Se confirmado, o
volume será 17,7% inferior ao da safra 2001/02.
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Preços
continuam a subir
As cotações da carne suína voltaram a reagir no mês de outubro e
tiveram uma alta de 8,12% em relação ao mês anterior. O preço médio de
outubro ficou cotado a R$ 27,57 a arroba do suíno vivo pago ao produtor. Essa
melhora dos preços é explicada pela menor oferta do produto neste mês em
resposta a diminuição do número de matrizes. O aumento das exportações e o
baixo estoque dos frigoríficos também contribuíram para o aumento dos preços.
Essa
pequena melhora nos preços ainda não foi suficiente para que os suinocultores
saíssem da crise que passa o setor. Grande parte dos produtores ainda
comercializa seus animais com preços abaixo do custo de produção. O grande
vilão do setor é o alto preço do milho que eleva demais o custo da alimentação.
O preço da ração para suínos apresentou um aumento de 29% de janeiro a
setembro deste ano, passando de R$ 303,00 para R$ 427,00, segundo o Sindicato
Nacional de Industrias de Alimentação Animal.
Os
produtores que são integrados a grandes agroindústrias conseguem contornar
esta situação pagando preços mais baixos na ração e negociando melhores
prazos de pagamento. Já os suinocultores independentes, principalmente no
sudeste do país, sofrem mais com os elevados custos da ração e ficam na
dependência do preço do milho.
As
exportações para a Rússia voltaram a crescer e hoje aquele país corresponde
por 80% das exportações brasileiras, colocando o Brasil como principal
fornecedor de carne suína para Rússia.
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