PROGRAMA DE ANÁLISE DE CONJUNTURA

PROGRAMA DE ANÁLISE DE CONJUNTURA


 Março de 2002


Expediente

            O Boletim PAC/DGTA é uma publicação que reúne análises conjunturais do mercado agrícola, desenvolvido por estagiários do Departamento de  Gestão e Tecnologia Agroindustrial, sob orientação de docentes especializados na área que compõem o grupo PAC ( Programa de Análise de Conjuntura ).

O principal objetivo do PAC é treinar estudantes de graduação da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, visando aprimorar o conhecimento dos mercados dos principais produtos agrícola.

Docentes Orientadores

        José Matheus Y. Perosa

            Izabel Cristina Takitane

            Maura Seiko T. Esperancini

 

Coordenação Geral

        Profa. Maura Seiko T. Esperancini

            Acad. Fernando de Campos Cunha

            Acad. Sandra T. Torrezin

 

Edição e Lay out

            Anselmo Ribeiro  

            Marcus Norberto Tavares


Arroz  

Decréscimo no preço do arroz no mês de março  

Mariana Toledo                Thiago Tozi

    Segundo levantamentos o preço do arroz apresentou altas superiores a 20%  nos últimos 12 meses. No entanto neste mês de março foi constatado uma queda nas cotações.

    Uma das principais causas desse decréscimo foi o aumento da produção, estimulada pelo primeiro leilão de contrato de opção de arroz deste mês, que aconteceu na primeira quinzena e atendeu a 73% da demanda de contratos. Ainda estão previstos outros dois leilões em abril e maio, que atenderão ao aumento da oferta de arroz no mercado.

    Os leilões possibilitaram a redução das importações que caiu 23,5%.

    O valor dado pelo IRCA – Instituto Rio Grandense do Arroz -, no entanto, não levou em consideração o aumento acorrido nos custos de produção e a dívida pós-colheita dos produtores, que disporão de recursos somente a partir de julho. O valor estabelecido ficou em R$16,00 a saca de 50kg, que representa um aumento de 5,4% em relação ao valor anterior.

    O preço médio recebido pelos produtores da saca de 60 kg do arroz em casca foi de R$18,50. Para o mês de abril a previsão é de que os preços continuem caindo devido à crescente oferta no mercado podendo chegar à R$17,50.  


Batata

Preços tendem a subir

João C. Carmignani         Lívia M. de Souza       Leandro H. Fugikawa

 

    As três variedades de batata tiveram um aumento em seus preços no mês de março. A Batata Lisa Especial, Batata Beneficiada Comum Especial  e Batata Comum Especial fecharam o mês com uma cotação média de R$ 40,00.

    O aumento dos preços deveu-se ao pequeno volume de produto ofertado no mercado. A variação dos preços entre as variedades ocorreu  em função da qualidade da batata. Na região mineira, a qualidade da batata é superior, portanto atingindo-se melhores cotações em relação a batata produzida no Paraná, onde a qualidade é inferior. As principais regiões produtoras no momento são: Paraná,  região de Guarapuava, Minas Gerais,  na região de Alfenas e Ibiá .

     A previsão para o mês de abril é um pequeno aumento dos preços, decorrente da pequena oferta de produto no mercado.


Boi Gordo

Rafael  Almeida     Juliane Salum     Natalia Pires

            O preço da arroba do boi gordo iniciou o mês a R$ 46,50 mantendo-se estável até a última semana do mês quando houve uma queda, fechando o mês em R$ 44,00 totalizando uma redução de 5,37 % .

            Este comportamento de mercado deveu-se à importação da carne argentina  a menores preços devido à recessão que se encontra o país. As importações de carne argentina mais que compensaram a redução da oferta interna devido ao fato dos produtores estarem retendo o boi no pasto, que está em condições muito favoráveis.

            Alguns frigoríficos ainda fazem contratos de exportação com a Rússia, e quanto a sanidade, há suspeita de novos focos de febre aftosa em rebanhos paraguaios e argentinos, o que preocupa e faz atuar o Plano Conjunto de Vigilância à Febre Aftosa nas zonas de fronteira entre Brasil, Uruguai e Argentina. Há, também, um atraso no Sistema Nacional de Rastreabilidade Bovina o que dificulta a eficiência no controle de produção brasileira de carne.

            Segundo o histórico dos preços e a atual situação do mercado, há uma tendência de redução ainda maior nos preços do boi gordo para o mês seguinte já que haverá um aumento na oferta de animais disponíveis aos frigoríficos.


Frutas

Cresce o consumo per capita de banana no mundo

Fernando C. Cunha                                               Sandra T. Torrezin

        O Brasil está entre os principais consumidores de bananas e é o terceiro em produção no mundo. O consumo médio da população brasileira é de 27,4 kg/hab/ano, caindo alguns pontos percentuais nos últimos anos devido ao crescimento do consumo e ao aumento de popularidade de outras frutas no País.

        A evolução da produção mundial de bananas se dá em todas as regiões e de maneira gradual. As oscilações bruscas se devem à interferência direta do clima nas diversas regiões.

        No ano 2001, o mundo inteiro produziu 67,1 milhões de toneladas, numa área cultivada de 4 milhões de hectares. A maior produção está na Índia; a maior área plantada é a do Brasil e a maior produtividade média é obtida na Costa Rica.

        O mercado, que na segunda semana do mês de março apresentou uma pequena reação nos preços recebidos pelos produtores, deu mais um passo adiante e estabeleceu novos patamares de preços, motivado pelo ajuste entre oferta e demanda, supostamente em razão da volta às aulas.

        O  mês de março garante significativo aumento de consumo da fruta, o que, de certa forma, assegura melhores preços ao produtor.

        Em relação ao caqui,  que chegou mais cedo este ano e concentrou a sua oferta. Uma observação  é que os frutos estão menores que no ano anterior, o que não interfere no sabor da fruta.

        Em algumas regiões a chuva de pedra afetou a produção. Uma parte do caqui de Mogi das Cruzes  apresenta  os  efeitos  das  chuvas:  frutos  afetados  estão  sendo  colhidos  imaturos, climatizados e enviados para o mercado, para serem vendidos por qualquer preço. O fruto verde afetado pelo granizo colocado no mercado prejudica o comércio, pois o produto colhido verde, nunca vai ser saboroso.  A qualquer preço ele pode ser vendido pois não tem outra destinação,  prejudicando o consumo e depreciando o produto melhor


Laranja

Próxima safra tende a recuperar preço                                                                                                                       

Carolina  Tavares             Clayton Barella               Jacqueline dos Santos

        A  laranja para indústria fecha o mês de março a R$ 7,10 a caixa de 40,8 kg (fruta posta pagamento à vista), e a laranja de mesa fecha o mês a R$ 12,00/cx.

        No mercado da fruta in natura, a escassez do produto de qualidade tem dificultado as negociações, ainda mais prejudicadas pelo tempo chuvoso nos principais postos de comercialização. Enquanto no Brasil as chuvas têm sido constantes nas regiões produtoras de citros, na Florida, a safra atual pode ser prejudicada em virtude da escassez de precipitações.

        A produção menor, que deve estender-se na safra 2002-2003, impedirá maior participação atual do suco brasileiro no comércio externo. De 1999 para cá, as exportações foram abastecidas com os estoques da indústria.  Neste ano, o volume de suco armazenado não passará de120 mil toneladas.

        A queda na produção de laranja é resultado da   desmotivação do agricultor, diante dos  preços baixos atuais e também da proliferação de doença como o amarelinho e o cancro cítrico. Para a indústria, a retomada do cultivo torna-se urgente porque os estoques de suco, hoje em volume regulador, continuarão baixos em 2003 devido à alentada queda na safra que começa em julho,

        As  discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se reúne em Genebra, deixou expectativas de redução de tarifas de importação, gerando possíveis contratos com o mercado de suco da China.

         A alta deve permanecer ao longo deste ano devido à queda na safra 2001-2002, a ser oficialmente encerrada no final de junho próximo. A estimativa do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, é a de que a produção não deverá superar 328 milhões de caixas, menor em relação à safra anterior.  


Milho

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ext-indent: 22.6pt">Michelle C. Seixas           Iana Y. Mori              Konrad V V S Mello

        O preço da saca de 60kg de milho para o mês de março ficou em R$11,89, representando um aumento de 0,8% em relação ao mês passado.

        O baixo preço praticado no início do ano passado de R$8,00 a saca de 60kg reduziu a área de plantio de milho em 5,1% a 20%, dependendo da região, agravado pela falta de investimentos em armazéns e pela estiagem no final do ano em Santa Catarina. Com isso, a produção deverá sofrer um déficit de um milhão de toneladas em relação ao ano passado.

        Santa Catarina provavelmente terá de “importar” de outros estados como Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás para suprir a demanda interna. A expansão de 9% da avicultura e suinocultura tem intensificado a demanda de milho neste estado.

        Apesar da redução na colheita vir acompanhada de menor produtividade em média 12% os preços estão crescendo devido a grande procura do milho no mercado. As empresas comprometem-se a pagar R$10,00 a saca de milho e os produtores de suínos, entre R$12,00 e R$13,00 a saca.

        A falta do grão e a disparada dos preços  provavelmente aumentarão o plantio da safrinha, fazendo com que seja decisiva para a definição de preços durante o ano.

        A previsão para o mês de abril é que os preços mantenham-se estáveis.


Suínos

Mês ruim para a suinocultura

João Paulo Lopes             Marco Aurélio Guenca               Milena Provazi

        O mês de Março foi desfavorável para a suinocultura brasileira. O preço da carne despencou para R$ 22,50 a arroba viva paga ao produtor. O preço vem caindo gradativamente desde o início de mês  correspondendo a uma queda de 6,5% em relação a Fevereiro. A queda de preço neste mês já era esperada pelos produtores e está relacionada a uma diminuição no consumo e nas exportações para a Argentina.

        A queda no consumo é sempre esperada na época de quaresma e principalmente na Semana Santa, mas foi agravada com o forte calor ocorrido durante o mês. A Argentina, diante  a  crise,  praticamente interrompeu as importações da carne brasileira. Com a demanda baixa, houve um excesso de estoque nos frigoríficos, que assim, diminuíram a compra do suíno para o abate.

        Para o próximo mês é esperado um aumento no consumo devido ao fim da quaresma e a chegada de meses com temperaturas mais amenas, mas contudo, o preço deve permanecer baixo até que os estoques se normalizem, podendo se elevar nas ultimas semanas de Abril.

 


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